Relação gênero e sobrecarga de trabalho no discurso de enfermeiras: influências no/do enfrentamento à Covid-19 em hospitais de Alagoas

Autores

  • Rhayssa Pereira Universidade Federal de Alagoas
  • Sóstenes Ericson

Palavras-chave:

Trabalho, Enfermagem, Divisão Sexual do Trabalho, Discurso

Resumo

Resumo: Para análise discursiva da relação entre gênero e sobrecarga, levamos em consideração as relações de poder - exploração, dominação, opressão - atribuídas ao binarismo “homem e mulher”, no trabalho em enfermagem. O objetivo deste trabalho foi estudar essa relação no discurso de enfermeiras e as influências no/do enfrentamento à Covid-19. Trata-se de uma pesquisa de campo, de abordagem qualitativa, cujo recorte das materialidades de análise foi extraído de grupos focais e analisado sob uma perspectiva discursiva. No trabalho em enfermagem, destaca-se a influência do imaginário socialmente construído de que esse se trata de uma extensão da vocação feminina de cuidar. A divisão sexual do trabalho não dispõe de um caráter neutro, sendo responsável por mascarar as relações de poder, evidenciando-se na hierarquia de gênero e, por consequência na desvalorização do “trabalho feminino”. Assim, a mulher passa por um processo de opressão explícita ou velada pelas responsabilidades “inatas” da feminilidade, enquanto a trabalhadora que busca ascender no mercado de trabalho vê-se no conflito entre o espaço público e o doméstico, e, ao tentar conciliar ambas as esferas, torna-se sobrecarregada com a dupla e às vezes tripla jornada de trabalho. Este estudo possibilitou verificar o modo como o processo de trabalho em enfermagem é influenciado pelas relações de gênero, que se configuram também como relações de poder e, por consequência, como palco de luta de interesses entre diferentes classes.

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Publicado

2026-02-11

Edição

Seção

Educação, Saúde e Direitos Humanos